terça-feira, 27 de julho de 2010

porquê?

- precisamos de falar, joana.
- precisamos?
- sim.
- mas tem de ser agora?
- sim.
- é urgente?
- é de vida ou morte!
- conta-me, o que se passa?!
- estou apaixonado por ti. perdidamente.
- ...o quê?!
- encontro-me nesta aflição horrível! tenho-te cravada no coração como uma espinha grossa de bacalhau atravessada na garganta que, por mais que tente, não se move, apenas piora. desespero por ti!
- explica-te.
- não aguento mais esta dor, boca seca que me custa a engolir. alivia-me com um beijo, aspira-me a espinha pelos lábios ou aperta-me as paredes da garganta e perfura-me desta vida para fora.
- não sei o que te dizer...
- tudo menos nada, por favor.
- oh, joão!
- eu amo-te.
- porquê?
- porque és a estrela mais distante e, no entanto, és, no céu, a mais brilhante. a estrela polar quando me perco.és vénus pela manhã, a minha pedra rosetta do amor. és a nebulosa mais linda do universo, que para admirar a tua verdadeira beleza é preciso distar de ti milhões de anos à feroz velocidade da luz que, de perto, tanto te ofuscas criatura, nas tuas saias sem jeito. mas queres saber? adoro a tua falta de senso, a tua imbecilidade, a tua inocência. credo, como eu te amo! amo tudo o que faz de ti um holofote na multidão. sim, captas sempre a minha atenção, que desprender estes olhos daí nem para salvar a própria vida!
- depois falamos sobre isso. até amanhã!
- até amanhã.